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UDEMO |12/03/14 10:46 | Atualizado em 12/03/14 10:49


Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 9 de março 2014.

Em 4 anos, matrículas no ensino integral crescem 46%

Número diz respeito a colégios privados; no ensino público, aumento é de 150%

A jornada estendida abarca hoje 2% e 12% dos alunos das escolas particulares e públicas, respectivamente

NATÁLIA CANCIAN
JULIANA COISSI

É meio-dia em uma escola no Morumbi, na zona oeste de São Paulo. Enquanto um grupo de alunos se apressa para voltar para casa, outro também guarda o material, mas não passa do portão.

São estudantes do ensino integral, modelo cujas matrículas cresceram 46% no ensino fundamental das unidades particulares do país nos últimos quatro anos.

O total passou de 63,1 mil, em 2010, para 92,6 mil, em 2013, segundo o Censo Escolar --na rede pública, as matrículas no ensino integral no período cresceram 150% (de 1,2 milhão para 3 milhões).

A jornada estendida (sete horas ou mais) abarca hoje 2% e 12% dos alunos das escolas privadas e públicas, respectivamente.

Associações de escolas particulares de 12 Estados ouvidas pela Folha garantem que houve um novo avanço, de até 30%, em 2014.

Entre as razões do aumento, representantes das escolas e responsáveis pelos alunos citam pais que trabalham o dia todo, trânsito intenso, falta de segurança e, mais recentemente, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos empregados domésticos.

"Os pais procuram muito [o ensino integral] porque, entre pagar um doméstico e a escola, na escola fica mais barato e mais seguro", diz a diretora do colégio Albert Einstein, Roberta Valverde.

Antes da lei, uma empregada com salário de R$ 1.000 custava ao patrão R$ 1.467,76, incluindo encargos. Agora, custa R$ 1.738,38 por mês.

Além do custo com o salário, "há o receio da questão trabalhista, dos patrões que agora teriam de assinar a carteira", afirma Airton de Oliveira, do sindicato dos colégios particulares do Ceará.

A mensalidade do ensino integral, contudo, fica de 60% a 115% mais cara.

Especialistas ouvidos pela Folha veem avanços na educação com a adoção do ensino integral, desde que bem organizado e com jornadas não muito extensas.

Para Neide Noffs, da PUC-SP, os pais precisam rejeitar a "escola-supermercado", com vários "produtos" apenas para passar o tempo.

Ela defende turmas pequenas, de até 25 alunos, com professores bem formados e uma rotina definida para a criança, que inclua atividades como teatro e música.

Colunista da Folha e consultora em educação,a psicóloga Rosely Sayão avalia que mais de dez horas no colégio podem ser prejudiciais:"Já passamos a vida adulta concentrados nove ou dez horas em uma só atividade. Vamos poupar as crianças nesses primeiros anos de vida"?

Comentário da Udemo: 

Fica claro, na matéria, que os principais motivos para essa demanda são (na seguinte ordem de prioridade): pais que trabalham muito, segurança, trânsito e alto custo das empregadas domésticas. Nenhum dos entrevistados mencionou “melhor educação” ou “enriquecimento curricular” ao optar por uma escola de tempo integral. Mais uma vez, a escola deixa de ser vista como um ambiente sociocultural para se tornar um local de “guarda de crianças”. Todos os educadores que trabalham nas escolas de tempo integral devem estar cientes deste dado de realidade. A Udemo continua defendendo o tempo integral, mas não podemos nos esquecer de que a finalidade específica da escola é outra: é ser um ambiente sociocultural, uma instituição própria onde deve ocorrer a educação, por meio do ensino.


 

 

 

 
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