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UDEMO |17/03/14 12:54 | Atualizado em 17/03/14 12:54


Matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, 16 de março 2014.

Garota faz campanha para mudar os horários

Ativista de 17 anos usa as redes sociais para mobilizar os estudantes

Caçula de sete irmãos, ela perdeu a mãe aos nove anos e, desde pequena, sempre foi muito independente

DO "NEW YORK TIMES"

Antes de apresentar os argumentos a favor do adiamento do primeiro sinal, a estudante Jilly dos Santos teve que mostrar por que um início de aula mais cedo não funcionaria no distrito escolar de Columbia, que abrange uma área com 18 mil estudantes e 458 rotas de ônibus.

Teve a ideia na aula de história ministrada por uma equipe, que explora o papel da liderança. Um dia os professores mencionaram que um comitê do conselho educacional tinha recomendado o início de aulas mais cedo para resolver problemas logísticos nos cronogramas de ônibus escolares.

Jilly fez as contas. Com o primeiro sinal às 7h20, teria que se levantar às 6h. Estava apenas na segunda série do colegial e não gostava de conflitos. Mas, sendo a caçula de sete irmãos e tendo perdido a mãe com nove anos, tinha aprendido a ser independente desde pequena.

Criou uma página no Facebook e uma conta no Twitter, avisando centenas de estudantes sobre a reunião do conselho de ensino. Depois disso, entrou em contato com o Start School Later, grupo sem fins lucrativos que lhe deu munição científica para sua campanha.

Recrutou amigos e distribuiu entre eles tópicos ligados a pesquisas sobre o sono. Com uma explosão de e-mails, tentou angariar apoio de professores do ensino secundário. Lançou uma petição online.

A reunião do conselho naquela segunda-feira estava lotada. "Os adolescentes não querem levantar pela manhã. Eu sei que eu não quero. Já pesquisamos as razões biológicas disso." O conselho fez uma discussão acalorada e decidiu contra a antecipação do início das aulas.

No dia seguinte, Jilly começou a fazer campanha por um início de aulas mais tarde, somando-se a um movimento que vem ganhando apoio.

Nas escolas onde as aulas agora começam às 8h35, quase 60% dos estudantes relataram estar dormindo oito horas/noite. Em 2012 o colégio de Jackson, Wyoming, atrasou o sinal das 7h35 para as 8h55. Acidentes com motoristas de 16 a 18 anos caíram para sete, de 23 no ano anterior.

Muitos pesquisadores dizem que a qualidade do sono afeta a aprendizagem diretamente, porque as pessoas armazenam dados novos durante os ciclos de sono profundo. Durante as fases de movimento ocular rápido, o cérebro está fortemente ativo, classificando os dados apreendidos durante o dia.

Quanto mais o adolescente dorme, mais bem a informação é absorvida.


 

 

 

 
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