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UDEMO |18/03/14 17:21| Atualizado em 18/03/14 17:22


Matéria publicada no jornal o Globo Educação - RJ, 13 de março de 2014.

Diretor fecha escola em protesto por falta de professor em Brasília

LEONARDO VIEIRA

Cansado de lidar com a crônica falta de professores em sua escola, o educador Everaldo Mendonça resolveu agir. Diretor da Escola Parque 303/304 Norte, em Brasília, ele parou todas as atividades acadêmicas por 24h. No lugar das aulas, Everaldo convocou pais e alunos para debater sobre o problema crônico e pressionar a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF).

O ato de protesto, nesta quarta-feira, parece ter dado certo. A unidade, que começou o ano com uma carência de 16 docentes, precisava até o início desta semana de pelo menos mais nove professores. No entanto, após a iniciativa do diretor, o órgão de educação local enviou mais cinco profissionais.

Everaldo conta que agiu estritamente dentro da lei. Segundo ele, normas do Distrito Federal permitem que gestores escolares convoquem assembleias com a comunidade no entorno do colégio para deliberar sobre as mais variadas pautas. Apesar de já estar em vigor há mais de um ano, esta foi a primeira vez que o diretor convocou uma reunião desse tipo na Escola Parque.

- Decidimos convocar a assembleia para quarta porque é o dia em que a escola recebe a maior quantidade de alunos, cerca de 800. Infelizmente, temos que usar esses instrumentos, não tinha outro jeito. Até o diretor foi dar aula, que no meu caso, era de educação física - explica Everaldo, que tem 36 anos de magistério.

A Escola Parque é complementar às escolas regulares, e por isso, só oferece aulas de teatro, vertentes de artes visuais, música e educação física. Mesmo assim, a unidade ainda precisa de dois professores de teatro, um de artes visuais e um de música. Na assembleia de ontem, ficou decido que a escola dará prazo até a próxima quarta-feira para a SEDF enviar o restante dos docentes necessários. Caso contrário, a unidade fechará de vez até o problema ser solucionado. Everaldo não teme ser demitido em retaliação.

- Vivemos aqui em Brasília num governo democrático, então eu não tenho receio de represálias, até porque estamos usando dentro da lei. O que fizemos foi usar uma lei para resolver o problema. A ditadura já acabou, né?

Por meio de nota, a SEDF informou que ainda não conseguiu preencher as vagas de professores de curta duração, pois o órgão `não encontrou professor temporário que tenha interesse em assumir a vaga, por ser de curto espaço de tempo`. Além disso, a secretaria lembrou que as carências surgem `em virtude de licenças médicas, licença maternidade, aposentadoria, abono, licença prêmio, afastamento para estudo, há casos também em que o professor foi eleito para assumir a direção ou coordenação da escola, dentre outros motivos que são respaldados ao servidor público por lei`.


 

 

 

 
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