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UDEMO |7/10/14 13:36| Atualizado em 7/10/14 13:36


Matéria publicada na Revista Veja, 07 de Outubro de 2014.

O Brasil que podemos ter

LYA LUFT

A  gente pode ter o Brasil que quiser, o país que merecemos pelo nosso trabalho, sonho, luta, esperança e valor. Pelo sofrimento de milhões. Depende do que a gente quer, realmente.

Quero um país onde as ruas não sejam um campo de batalha, mas de seguir para o trabalho, para a escola, fazer compras, voltar para casa, se sentir seguro. Quero um país onde as casas e edifícios não sejam fortalezas nas quais nos refugiamos amedrontados. Quero um país onde multidões sem casa e sem trabalho não precisem se manifestar, seja com paz, seja com violência, mas todos tenham naturalmente abrigo, salário, dignidade.

Quero um país onde as instituições não sejam desmanteladas, onde líderes e governos nos deem espaço e nos honrem com sua postura e ações. Onde "corrupção" seja uma palavra estranha, não esse pão nosso de cada dia que é agora, que só nos faz perder a confiança naquilo que deveria ser o nosso estímulo.

Quero um Brasil justo, esperançoso, progressista, onde o primeiro avanço seja o da dignidade de seu povo, dos mais privilegiados aos mais despossuídos, pois assim, com o tempo, não haverá mais despossuídos: todos poderemos produzir com contentamento, segurança e paz, em qualquer lugar, em qualquer nível, da mais sofisticada tecnologia, da mais avançada ciência, ao mais simples mas essencial trabalho nas casas, nas indústrias, nas lojas, nos portos, nas estradas, nos hospitais, nos mercados, nas bancas de jornal, na direção de um ônibus ou de um táxi.

Para isso, quero antes de tudo um Brasil onde haja escolas para todos, porque povo educado é povo informado, lúcido, e feliz. Podem ser modestas, não precisam de grandes bibliotecas ou mirabolantes envios ou promessas de computadores: precisam, para começar, de paredes, assoalho, mesas e cadeiras, livros, uniformes, banheiros limpos, merenda que não foi roubada e professores satisfeitos, isto é, com salário honrado e dignidade. Também quero escolas protegidas de traficantes e de violência interna. Aliás, quero um Brasil onde o narcotráfico não tenha importância nem poder.

Quero um país onde velhos, grávidas, crianças e carentes não tenham de ficar meses à espera de uma consulta, parir ou morrer na maca ou no chão do corredor, ou voltar para casa com filhinho doente nos braços, com a informação de que não há nem o mais simples remédio para ajudar. Quero um Brasil onde ser médico não é ser explorado, mas dignificado. Onde ser professor não é ser humilhado, mas honrado.

Quero um Brasil onde não se minta iludindo o povo ingênuo com promessas que, ano após ano, se acumulam como castelos de areia, onde não nos tratem com mentiras óbvias mas respondam à nossa confiança com obras reais, com ações visíveis e concretas, movidas por um verdadeiro interesse e empenho por este lugar e esta gente, muito além do desejo de poder.

Quero um Brasil onde haja real democracia, onde não se persiga quem expõe sua opinião, onde não se planeje amordaçar a imprensa, onde todos sejam ouvidos e tratados com cortesia, e atendidos dentro do possível, sem populismo nem autoritarismo, sem grosseria, sem ironia nem sarcasmo, sem desonra nem medo. Pois o medo, a ameaça, o suborno, a exploração da fraqueza, da credulidade ou da indigência são o contrário da democracia.

Quero um país integrado no contexto global mais civilizado, não obtuso e à margem, não ofuscado pela ideologia ou caprichos, não alardeando um ufanismo descabido e pobre, mas aberto ao intercâmbio com os países mais avançados, mais livres e mais justos, sendo ouvido, respeitado, e admirado por vencer a alienação e o atraso.

Quero o Brasil que em poucas horas poderemos criar com um gesto simples chamado "voto": escolhendo lúcida e conscientemente quem nos representa e quem nos governa, quem pode nos ! levar à posição que desejamos e de que necessitamos. Pois merecemos sentir alegria, orgulho, segurança e ânimo com o Brasil que estamos a cada dia construindo, e queremos igualar aos melhores entre todos. Depende de nós.

Comentário da Udemo: é isso, também, o que nós, da Udemo, queremos!


 

 

 

 
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