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20º Encontro da Udemo - Ativos e Aposentados

A Udemo realizou o seu 20º Encontro da Udemo - Ativos e Aposentados, entre os dias 12 a 16 de setembro de 2018, no Salvetti Praia Hotel, Boraceia, São Sebastião.

O tema do Encontro foi  “Qualidade de Vida: Pessoal e Profissional”.

Palavra do Presidente

Colegas,

Sejam todos bem-vindos ao 20º Encontro Estadual de Educação da Udemo - Ativos e Aposentados. Depois de 20 anos, voltamos ao formato original dos nossos Encontros, reunindo, num mesmo evento, ativos e aposentados. Isso prova que nada é permanente, exceto a mudança (Heráclito), e que só há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos. (B. Franklin).

O tema deste evento é “Qualidade de Vida: Pessoal e Profissional”,compreendendo palestras sobre a nova Base Nacional Comum Curricular, Alimentação e Saúde, Vida Pessoal e Profissional.

Vêm aí as eleições, com 35 partidos políticos registrados no TSE e alguns milhares de candidatos, incluindo à Presidência da República, Congresso Nacional e Assembleias Legislativas. A palavra “candidato” vem do latim ‘candidus’, que significa ‘branco, limpo, puro’. Para concorrer, o cidadão comparecia perante o Senado Romano vestido de branco, simbolizando sua limpeza e pureza de corpo, de alma e de propósitos. Entre nós, o branco não parece ser a cor mais indicada. Mas, apesar de tudo, vamos votar! Afinal, a eleição é um dos pilares da democracia. Se é verdade que todos os políticos são corruptos, então vamos eleger os nossos corruptos, antes que os inimigos elejam os deles!

Hoje, estamos vivendo mais, graças às vacinas, aos antibióticos, alimentação, higiene, saneamento básico e o acesso aos serviços de saúde. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em cinco anos (2012 a 2017), a população brasileira com 60 anos ou mais cresceu 18,8%. As mulheres são maioria expressiva neste grupo, com 56% dos (então denominados) idosos. O processo de envelhecimento da população é um fenômeno mundial. Se as pessoas já estão vivendo mais, a preocupação agora deve ser com a qualidade de vida. Qualidade esta que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), continua sendo comprometida por maus hábitos como o fumo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool e a falta de atividade física. A OMS também ressalta que os idosos têm necessidades específicas, e que nem mesmo os países ricos contam com sistemas de atenção à saúde que sejam sustentáveis do ponto de vista econômico, no longo prazo. Para a qualidade de vida, continua válida a teoria da distribuição do tempo de Robert Owen, Industrial e reformador social galês do século XVIII: “oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de descanso”. E a ordem metódica de William Blake, pintor e poeta inglês do século XVIII: “pensa de manhã, age ao meio-dia, come à tarde e dorme à noite”.

Ao discutir projetos e programas para a educação brasileira – como a Base Nacional Comum Curricular -, é importante ter em mente alguns dados históricos. No Brasil colonial e imperial – período que vai de 1500 a 1890 -, as escolas foram escassas. Tão raras que, até a virada do século XX, o baixo índice de alfabetização determinava um comportamento peculiar de quem passava pelas escolas: os poucos alfabetizados costumavam reforçar ao máximo as diferenças entre o falar e o escrever, como sinal de sua distinção. Com a proibição total de tipografias, os moradores do Brasil só podiam mandar imprimir livros em Lisboa, e, mesmo assim, depois de conseguirem a autorização dos censores. Uma atitude de caráter retrógado impedia a fundação de instituições produtoras de conhecimentos. Desde o século XVI, havia no Brasil moradores ricos o suficiente para investir na formação local de seus filhos. Mas todas as tentativas foram frustradas, e negados todos os pedidos para a instalação de faculdades ou universidades. A primeira universidade da América espanhola, a de São Domingos, na hoje República Dominicana, começou a funcionar em 1536. No Brasil, a primeira universidade foi criada quatro séculos mais tarde, em 1934 – a Universidade de São Paulo. No fim do Império (1890), a taxa de alfabetização passou de 2% para 17,4%, o que foi considerado um grande avanço. Mas o fato é que, por esta época, vários países estavam próximos da alfabetização de toda a população (Jorge Caldeira). Comparada com países desenvolvidos, a educação brasileira ainda está na primeira infância.

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), “a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica". De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), “a Base deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil”. A Base Nacional estabelece conhecimentos, competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade básica. Ela não é o currículo. Ela é o fim, o objetivo; o currículo é o caminho. Além de obrigar a uma nova formação de professores, a Base Nacional Comum Curricular coloca-nos um velho desafio: a valorização da escola. Deseja-se que a BNCC seja implantada nos próximos anos. Deseja-se! Ortega y Gasset, filósofo espanhol do século XX, alerta-nos para o fato de que “só é moral o desejo acompanhado de severa vontade de prover os meios de sua execução”.

Quando deixou de ser vista como apenas um requisito para a sobrevivência, a alimentação tornou-se matéria de estudos, polêmicas, controvérsias, e até mesmo radicalismos. De acordo com a Bíblia, Adão e Eva foram criados como vegetarianos. Só após o Dilúvio, o homem foi autorizado a comer carne. O respeito para com a Criação – na Bíblia - teve como consequência o princípio que estabeleceu que um alimento é tanto mais puro quanto mais próximo ele é do seu estado original. Hipócrates, que viveu na Grécia, nos séculos V e IV a. C., e que é considerado um dos pais da medicina ocidental, já ensinava que a saúde se fundamenta na forma como a pessoa se alimenta: “Seja o seu alimento o seu medicamento, e seja o seu medicamento o seu alimento”. Hoje, com tantas pesquisas, artigos, notícias, convicções filosóficas, religiosas, e até mesmo modismos envolvendo alimentação e nutrição, fica difícil saber qual alimento é medicamento e qual alimento é tormento. Quando nutrição vira religião, é inútil qualquer discussão racional sobre a matéria. Nossos avós reiteravam: “pode-se comer de tudo, desde que pouco”. Antes deles, porém, Joseph de Maistre, um filósofo francês do sec. XVIII, já alertava contra os excessos: “a mesa mata mais gente do que a guerra”. No mesmo mundo em que se morre de inanição e desnutrição, morre-se também de obesidade. Não é apenas a fome que mata o corpo; o excesso de açúcar pode ter o mesmo resultado. É preciso cautela com modismos. O jornal americano The New York Times revelou, recentemente, que o Dr. Michael Holick, um dos médicos responsáveis por criar o mercado bilionário da vitamina D, recebeu centenas de milhares de dólares de indústrias de suplementos alimentares. Ele usava sua posição influente na comunidade médica a fim de promover práticas que beneficiavam financeiramente fabricantes de medicamentos, salões de bronzeamento e até um dos maiores laboratórios de testes médicos dos Estados Unidos. Para o Dr. Michael Holick, pessoalmente, a vitamina D opera milagres!

Atualmente, o ritmo acelerado do cotidiano coloca-nos diante do dilema de equilibrar o tempo entre vida profissional e vida pessoal. Do mesmo modo, somos levados a nos preocupar com as coisas mais urgentes, que nem sempre são as mais importantes. Constantemente, fazemos escolhas em prol da carreira e que afetam nossa vida pessoal. Porém, nos esquecemos de que a vida pessoal é a mais longa “carreira” que teremos, pois ela continuará depois de encerrarmos a nossa carreira profissional.  Portanto, quanto mais olharmos para a questão, mais perceberemos a real importância da vida pessoal: família, amigos, lazer, comunidade, que nos motivam para um melhor desempenho profissional. Uma vida dentro dos princípios éticos, como a decência, a honestidade, a solidariedade. Na nossa vida, tanto pessoal quanto profissional, além de nos portarmos dentro dos princípios éticos, temos de evitar a armadilha do autoengano. Ludwig Wittgenstein, filósofo do século XX, observava que “nada é tão difícil quanto não se enganar a si próprio”. Muitas pessoas enganam-se a si mesmas, porque é difícil não o fazer. Para Eduardo Giannetti da Fonseca, economista e cientista social, o ser humano tem uma  forte necessidade de iludir a si mesmo, o que acarreta consequências  na vida pública e na vida pessoal. Mentimos para nós mesmos o tempo todo: adiantamos o relógio para não perdermos a hora... acreditamos nas juras da pessoa amada...Prometemos estar juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando, respeitando e sendo fiel em todos os dias da nossa vida, até que a morte nos separe... E só levamos realmente a sério os argumentos que sustentam nossas crenças. Além disso, temos a nosso próprio respeito uma opinião que quase nunca coincide com a extensão de nossos defeitos e qualidades. Para Giannetti, sem o autoengano a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Autoengano não se confunde com mentira deliberada. O escritor francês Marcel Jouhandeau escreveu, no século passado, que “para suportar a sua própria história, cada um lhe acrescenta um pouco de lenda”. Porém, abandonados ao autoengano, perdemos a dimensão que nos reúne às outras pessoas e possibilita a convivência social. João Pereira Coutinho, cientista político e escritor português, afirma que “um pouco de mentira pode ser necessário para uma vida feliz ou, no mínimo, serena. Um pouco de mentira é condição básica de sanidade. Um pouco de mentira pode ser útil na conservação dos estados e na manutenção da paz civil. Enfim, sem um pouco de mentira, onde estariam as artes que tornam as nossas existências suportáveis? Gostamos de Fernando Pessoa porque ele foi o mais mentiroso dos poetas”.

Colegas, é convivendo que se vive. Nosso Encontro tem como objetivo maior a nossa convivência. As palestras, a programação social e o lazer são caminhos para chegarmos lá. Caminhos que são abertos, ampliados, pavimentados e decorados com a presença e a participação de todos vocês.

Obrigado !

 

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