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UDEMO | 03/02/20 | Atualizado em 3/02/20 17:28



SEDUC: MAIS UM PROGRAMA!

 

Ou melhor, mais uma propaganda! Mais tempo, energia, trabalho e dinheiro desperdiçados! A escola pública precisa, urgentemente, de professores - docentes e especialistas – formados, capacitados, motivados e bem remunerados. Só não precisa de mais um programa como esse. Propaganda enganosa, hoje; amanhã, “tiro no pé”! O “salva-pátria”, desta vez, é o “Programa Nossa Escola”,uma iniciativa da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo que tem como objetivo buscar o apoio e a colaboração da sociedade civil na evolução da qualidade da educação pública paulista. O Programa Nossa Escola irá selecionar apoiadores dispostos a apoiar as diretorias de ensino, escolas da rede estadual e unidades escolares que não estejam em funcionamento”. As ações apoiadas contemplarão ações pedagógicas e de gestão. Espera-se uma ampla colaboração de Organizações da Sociedade Civil (OSC)

Observações da Udemo. Afirma o texto que o programa vai: “apoiar as diretorias de ensino, escolas da rede estadual e unidades escolares que não estejam em funcionamento”. Que tipo de apoio necessitam unidades escolares que não estão em funcionamento? Escolas mortas. Que tipo de apoio necessitam os mortos? Orações? Além disso, qual é a diferença entre “escolas da rede estadual” e “unidades escolares”?

Na JUSTIFICATIVA, item 2.2, a máscara cai: “A atuação de um parceiro junto à escola pode trazer ganhos pedagógicos relevantes para o desenvolvimento dos estudantes, como já fora observado em outras parcerias que são realizadas em algumas escolas da rede, como aulas de reforço no contra turno, apoio na aquisição de material pedagógico e envolvimento e fortalecimento da comunidade escolar”.

Será que não havia ninguém na equipe da SE para lembrar que em escolas que não estejam em funcionamento não há possibilidade de “ganhos pedagógicos relevantes para o desenvolvimento dos estudantes”, pelo simples fato de não haver estudantes?

Nos itens 4.7 e seguintes, aparecem mais algumas pérolas. Que tipos de apoio essas OSC poderão proporcionar às unidades escolares? Pedagógico – Formação da equipe escolar; Atividades de contraturno para estudantes e comunidade escolar; Atividades aos finais de semana para estudantes e comunidade escolar; Apoio em material didático; Viagens e atividades extraclasse; Gestão – Formação da equipe escolar em indicadores; Desenvolvimento de sistemas para contato com responsáveis etc.

Tantos apoios, assim, para diretorias de ensino, escolas da rede estadual e unidades escolares que não estejam em funcionamento ?”. Se elas estivessem em funcionamento, então, poderíamos imaginar um apoio ainda maior! Supremo!
Ou será mais um “golpe na verdade” (expressão bonita para “mentira”) da SE? Finge-se que a finalidade é uma (“cuidar das unidades que não estão em funcionamento”), mas ela é outra (“interferir diretamente nas escolas em atividade”)!

O item 4.9 é acaciano (o óbvio ridículo) “Não é permitida a contratação de profissionais para atuarem dentro de sala de aula durante o período regular das aulas”. Claro, se não há professores suficientes para atuarem nas escolas em funcionamento, vamos tentar contratar alguns para colocar em unidades escolares desativadas? Ainda, qual é o período regular de aulas de uma escola que não tem aulas, que não está em funcionamento? É importante saber isso, para fins de acúmulo...

O Programa traz até os valores de contribuição para as OSC interessadas!

Se você acha que a Udemo está exagerando, leia no DO de 31de janeiro de 2020, no Gabinete do Secretário, a abertura do Edital de Credenciamento Público para o Programa Nossa Escola.

Alguns colegas já viram ali um aceno com a “Privatização da escola pública”. Pode até ser, mas não é muito provável. Está mais para enganação!  Parece antes um grito de socorro, de desespero, de quem não está conseguindo “dar conta do recado”. Estão pedindo ajuda até para cuidar dos mortos. Alguém acredita que dá para investir numa Secretaria de Educação que não consegue fazer o básico, que é ter todos os professores, formados, capacitados, motivados e bem remunerados? Alguém acredita que empresários – movidos a dinheiro, eficiência, metas e resultados – vão despejar seu rico dinheirinho em gestões tão incompetentes quanto esta? Mesmo com toda e eventual reciprocidade prometida pelo governador? Esses empresários sabem que o problema da SE está no comando central e não na base dos comandados!

A não ser que esse programa, na verdade, seja uma forma de ceder imóveis públicos à iniciativa privada para projetos paralelos ou complementares aos da rede pública! Se for isso, será mais uma malandragem. Esperteza? Não, porque eles não são espertos o suficiente. Além do mais, quando a esperteza é muita, ela come o dono! Vamos acompanhar, com a mobilização e a ação judicial já engatilhadas!

 


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